Quem é ouvido, reconhecido e legitimado dentro do mercado da comunicação? Essa foi uma das principais reflexões do Abradi Delas, em 28 de maio, em mais um encontro online e exclusivo para mulheres voltado à troca de experiências sobre liderança, mercado e transformação social. Nesta edição, a convidada foi Daniela Torres (@negraparda), escritora, palestrante e especialista em narrativa e educação antirracista.
A partir de sua trajetória, que também inclui ter sido finalista do Prêmio Abradi 2026, Daniela propôs uma reflexão sobre como raça, estética, linguagem e narrativa impactam reconhecimento profissional, autoridade e presença estratégica, especialmente para mulheres negras.
Ao longo da apresentação, ela destacou que o debate sobre comunicação vai além do direito à fala e envolve também quem é realmente ouvido e reconhecido como autoridade nos ambientes profissionais. “Nem sempre falar é sinônimo de legitimidade”, afirmou, ao refletir sobre estruturas do mercado que ainda valorizam determinadas vozes enquanto outras seguem sendo constantemente questionadas.
No contexto da comunicação e da publicidade, Daniela provocou o público a pensar sobre diversidade para além da representação visual. “Comunicação sem referência é só enfeite”, disse, ao defender maior presença de profissionais negros em posições de liderança, estratégia e tomada de decisão.
A convidada também refletiu sobre como a publicidade ainda associa diferentes grupos a papéis específicos. Segundo ela, pessoas brancas costumam protagonizar campanhas sobre temas amplos sem que a raça seja um marcador central, enquanto pessoas negras seguem frequentemente ligadas a pautas de diversidade ou inclusão. “Pessoas negras aparecem na propaganda porque existe uma temática racial. Raramente ocupam o centro das narrativas consideradas universais”, observou.
Daniela também questionou o quanto as empresas estão realmente dispostas a rever suas estruturas internas. Para ela, diversidade não pode se limitar à imagem das campanhas, mas precisa incluir profissionais negros em espaços de liderança, estratégia e tomada de decisão.
Outro ponto discutido foi como vozes negras que abordam questões raciais de forma mais direta ainda são frequentemente classificadas como “radicais” ou “problemáticas”, enquanto discursos semelhantes, quando feitos por pessoas brancas, costumam ser vistos de forma mais positiva.
A conversa também abriu espaço para reflexões sobre inclusão efetiva, responsabilidade coletiva e os desafios que ainda dificultam o reconhecimento e a legitimidade de profissionais negros no mercado.
Ao final, a palestrante incentivou o público a refletir sobre os próprios ambientes profissionais, observando quem ocupa posições de liderança, participa das decisões estratégicas e tem espaço para ser ouvido. “A transformação começa quando a gente questiona quem realmente está sendo ouvido”, concluiu.
Com reflexões sobre comunicação, mercado e representatividade, o Abradi Delas reforçou a importância de promover espaços de escuta, diversidade e transformação dentro da indústria da comunicação.
Agradecemos a todas que participaram deste debate! Para acompanhar os próximos encontros da Abradi e se manter atualizado sobre as transformações do mercado digital, acesse: https://abradi.com.br/