Encontro debate como tecnologia e competências humanas podem ampliar processos criativos
Quanto mais a inteligência artificial evolui, mais uma pergunta ganha força: qual é o papel da criatividade quando a IA também cria? Esse foi o ponto de partida do Abradi Talks, realizado online no dia 16 de julho, que trouxe uma reflexão sobre os novos caminhos da criação em um cenário cada vez mais influenciado pela tecnologia.
Com o tema “Liderança em Criatividade: como expandir a principal soft skill para o século XXI”, o encontro conduzido por Melissa Setubal, pesquisadora, professora da ESPM e especialista em criatividade híbrida, mostrou que o futuro da criação não está na substituição da inteligência humana pela artificial, mas na construção de uma relação colaborativa, em que a tecnologia amplia possibilidades sem eliminar aquilo que torna a criatividade humana única.
Criatividade como uma característica humana
Durante o encontro, a pesquisadora destacou que a criatividade não está restrita a profissões ou atividades específicas, mas faz parte da experiência humana e da forma como cada pessoa observa e interpreta o mundo. Diante do avanço da inteligência artificial, o pensamento criativo precisa caminhar junto ao pensamento crítico. A capacidade de questionar padrões, analisar contextos e enxergar novas possibilidades é essencial para transformar informações em ideias inovadoras. “Não conseguimos separar o pensamento crítico do pensamento criativo. Ele é fundamental para desenvolvermos uma visão mais ampla, capaz de compreender o mundo, entender como ele funciona e enxergar novas possibilidades do que ele pode vir a ser”, destacou.
A especialista também ressaltou a importância de ampliar repertório e criar espaços de observação e pausa, já que o processo criativo depende da capacidade de estabelecer novas conexões.
Os caminhos da criatividade híbrida
Ao apresentar o conceito de criatividade híbrida, Melissa explicou que ele envolve a cocriação entre humanos e máquinas, com a IA contribuindo para gerar ideias, acelerar protótipos e explorar possibilidades. No entanto, a tecnologia não substitui aspectos essenciais da criatividade humana, como emoções, experiências e vivências. “A experiência humana nasce de emoções, de pensamentos, dessa capacidade de combinar não só conhecimento, mas todo o sentido que damos para aquilo”, explicou.
Entre os desafios do uso da IA, a pesquisadora destacou a reprodução de padrões existentes e os vieses presentes nos dados utilizados pelos sistemas. Para ela, a criatividade híbrida depende do equilíbrio entre tecnologia e pensamento humano, com pessoas capazes de interpretar informações, compreender contextos, fazer perguntas relevantes e usar a IA de forma consciente.
A importância das habilidades humanas
Melissa também ressaltou que o avanço da inteligência artificial torna ainda mais relevantes competências como inteligência emocional, colaboração e capacidade de construir relações. “A tecnologia é uma expressão de quem somos enquanto humanos”, explicou.
Ao abordar o impacto da IA na relação entre agências e clientes, ela afirmou que o uso da tecnologia exige, além de conhecimento técnico, diálogo, colaboração e confiança. Para a especialista, a inteligência relacional será um diferencial em um cenário de transformação constante. “Quando a gente se encontra em algum ponto em que se sente bloqueado, 99% das vezes a resposta é sobre relacionamento humano. Sobre como a gente interage com o mundo”, afirmou. Assim, o futuro da criatividade não está na disputa entre humanos e máquinas, mas na combinação entre tecnologia, repertório e inteligência humana.
O programa está disponível no canal da Abradi no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=tlgFig4rrZQ
Para acompanhar os próximos encontros do AbradiTalks e se manter atualizado sobre as transformações do mercado digital, acesse: https://abradi.com.br/
Sobre o autor:
Assessoria de Imprensa da Abradi