Diversidade faz bem para qualquer negócio, mas para os agentes digitais é o caminho para o sucesso

22 de fevereiro de 2021

Por Henriane Morelli
Diretora de Sustentabilidade e Diretora da HRI Digital.

 

Quanto maior a pluralidade no quadro de colaboradores de uma empresa e no perfil das lideranças, maiores são as chances de inovação e assertividade nas estratégias.

Os agentes digitais enfrentam diariamente o desafio de inovar, o tempo todo. Novas campanhas, novas soluções, novas maneiras de implementar um plano, novas alternativas para gerir um projeto, novas formas de atender um cliente e assim vai a lista. A solução para fomentar novas ideias, no entanto, pode estar na cultura organizacional. Você já pensou nisso?

Além disso, com a chegada da nova geração de profissionais ao mercado, os agentes digitais precisam estar preparados para receber esses novos colaboradores, que são curiosos, inquietos e ansiosos para levar mais pluralismo para o dia a dia do trabalho. Bem como atender esses novos consumidores, que são imediatistas, politicamente corretos e empoderados no mundo digital.

Quanto maior a diversidade nas equipes e no perfil das lideranças, mais ideias de diferentes pontos de vista surgirão para enriquecer uma estratégia. Contar com pessoas de um só gênero tomando decisões empobrece a ação da equipe. Ter pessoas de uma única etnia criando soluções para um website diminui as chances de entender as necessidades do usuário. O fato é que os grupos de minorias (negros, mulheres, indígenas, deficientes, LGBTS+, idosos etc.) são ignorados. Com um quadro de profissionais diversificado, as agências têm equipes flexíveis e capazes de compreender as necessidades de um grupo maior de pessoas e, assim, estipular estratégias assertivas e desenvolver serviços vendáveis e que gerem lucro.

Com certeza, você que é agente digital deve estar pensando: eu sou sozinho, sou o “eu” agência, então este artigo não se aplica a mim. É aí que você se engana. A diversidade se aplica também às terceirizações. Como está a escolha de suas empresas parceiras? Como são as equipes de seus terceiros? Já pensou que são eles que irão dar o tom de seu projeto?

E os benefícios não param por aí. Segundo dados da consultoria McKinsey, nas empresas com diversidade de gênero na gestão, o resultado financeiro é 15% superior em relação à média de suas concorrentes diretas. Quando há também a diversidade étnica na liderança, os resultados são 35% maiores.

Na minha opinião, o maior desafio é ter a diversidade dentro da estratégia da agência. Muitas empresas tratam a diversidade e inclusão como ação paralela e de uma maneira desconectada. É importante entender que a diversidade é um subproduto da agenda sustentabilidade. A implementação de ações sustentáveis nas agências, bem como a promoção de ações para a busca de diversidade no quadro de colaboradores ou fornecedores, devem estar alinhadas a estratégias e ao propósito das empresas. Devem se adequar ao buyer persona e ao brand persona da empresa. Só assim se tornarão algo estrutural.

Uma empresa diversa e inclusiva nos dá melhores condições para responder aos desafios de um mundo mais complexo, onde tudo acontece muito rápido. Mas, você pode estar se perguntando, será que não se trata de algo mais relacionado ao RH ou à empresa que faz a seleção dos meus candidatos?

Não! Claro que todos os especialistas em seleção e pessoas são peças importantíssimas nesse processo. Mas isso é o começo e não o fim.

O grande desafio que a gente tem é o de aprendizado, conhecimento e abertura. Falta bastante conhecimento. Precisamos ampliar o nível de consciência. Precisamos abrir para o debate. Colocar todos para pensar. É muito mais do que ter cotas para deficientes ou para negros. Questões como cor, raça, religião, deficiência, orientação sexual, entre outras, não definem competência.

Estabelecer cotas é importantíssimo, mas não para cumprimento de metas ou de leis, e muito menos como oportunidade de divulgação. As cotas devem estar presentes como um fator de desempate. É preciso ter um planejamento de inclusão da diversidade e atuar para que os times possam render o esperado: inovação, produtividade, qualidade e sucesso.

Outro ponto muito importante é que não adianta ter uma empresa diversa e fazer todo o esforço possível para atrair pessoas com condições para subir na escala da hierarquia, para ter uma liderança mais diversa, se não garantirmos a segurança psicológica de todos os envolvidos. Existe espaço para todos expressarem as suas opiniões sem barreiras? Existe um ambiente no qual cada pessoa possa ser ela mesma? Ou seja, é muito mais do que colocar uma mulher no cargo de liderança. O processo tem a ver com um compromisso diário e contínuo.

Muitas empresas optaram por voltar ao trabalho presencial, outras na forma híbrida ou mesmo 100% home office, e com isso acreditam que esses processos se tornam desnecessários. Isso é um mito. A pandemia não afetou de forma alguma a política de diversidade. Pelo contrário, acentuou muitas inseguranças e desigualdades e mostrou a necessidade de maior responsabilidade, mais urgência nessa implementação. Mostrou que mesmo como agentes digitais, nós somos vulneráveis e, além de ter que lidar com uma crise dessa dimensão, precisamos ser mais inovadores e criativos. Por isso a necessidade de um novo contrato social – centrado na justiça social, na equidade e na dignidade humana – e de um modelo diferente de gestão.

Além disso, ganhamos muito com as novas opções de prestação de serviço. A nova realidade de trabalho remoto oferece a oportunidade para novas pessoas e novas contratações, uma vez que muitas vezes as vagas não chegam às pessoas que, para obter trabalho, teriam de migrar para os grandes centros.

Será que é possível ser um agente digital criativo e inovador sem aderir a uma política de diversidade?

Não, e isso é fácil de entender. Somente quando as pessoas são expostas a situações e condições diferentes é possível existir um ambiente propício para a abertura ao novo.

Vivemos em um mundo cada vez mais complexo, onde tudo acontece rápido. Dificilmente existe uma cultura tão diversificada quanto a do Brasil. Além dos nativos, nossa população foi formada por distintos povos, como os portugueses, africanos, outros europeus e imigrantes da Ásia e do Oriente Médio. Os agentes digitais precisam refletir essa diversidade olhando com atenção para cada grupo e cada comunidade representada. Uma agência diversa e inclusiva está bem mais preparada para responder às condições destes desafios.

Novos hábitos são adquiridos no contato com novas culturas. Do confronto de ideias surgem as melhores soluções. Quanto mais humano e colaborativo for o ambiente de uma agência, mais conectada ela estará com a sociedade. Em outras palavras, só com uma política de diversidade é possível se tornar uma empresa criativa e inovadora.

Como a Abradi-SP pode auxiliar as empresas que ainda não aderiram a uma política de diversidade e quais caminhos elas devem seguir?

Não existe uma regra nem um passo a passo a ser seguido. Existe uma construção e um caminho único para cada empresa. Acho que o nosso papel como associação e como diretoria é inspirar, trazer cases já implementados em agências e empresas, criar espaços de debate e apresentar parceiros que possam auxiliar nesta jornada.

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