Brasileiro está mais cuidadoso com a saúde e ensaia adotar hábitos mais saudáveis, diz estudo do Itaú sobre comportamento de consumo

10 de junho de 2021 Comportamento do Consumidor

Levantamento, relativo ao 1º trimestre, aponta aumento significativo de gastos com exames e tratamentos médicos, além de maior consumo de alimentos saudáveis.

Crescem também as despesas com serviços de manutenção da casa e, de forma expressiva, a venda de videogames.

São Paulo, 9 de junho de 2021 – Após um ano e duas ondas fortes de pandemia, o brasileiro se mostra mais preocupado com a saúde e propenso a adotar hábitos mais saudáveis. É o que revela o segundo relatório de Análise do Comportamento de Consumo do Itaú Unibanco, relativo ao primeiro trimestre deste ano.  Os gastos com tratamentos, prevenções e exames aumentaram significativamente no período em relação ao primeiro trimestre de 2020: 80% em laboratórios de análises clínicas, 29% em médicos e clínicas e 14% em hospitais.

O consumo em feiras livres e os gastos com hortifrútis também subiram, respectivamente 47% e 22% – mais um possível indicador da procura por maior qualidade de vida e da preferência pelos espaços abertos.  Da mesma forma, as vendas de bicicleta cresceram 52%, tendência já verificada na Análise de 2020 e movimento que pode ser explicado pela busca de práticas saudáveis e, ao mesmo tempo, mais seguras.

Mais home, mais office e muito mais lazer
A maior permanência em casa também puxou o consumo de serviços de manutenção, como os de ar condicionado e computadores/impressoras, com crescimento de 59% e 51%, respectivamente, e dedetização (16,4%). A compra de livros, games, serviços de streaming e instrumentos musicais também subiu (8,5%), com destaque absoluto para a categoria de videogames, cujas vendas saltaram 165% na comparação com o primeiro trimestre do ano passado.

Outro dado que chama a atenção no estudo é o crescimento das transações, tanto no varejo online quanto no físico, no período em que o carnaval seria celebrado se não houvesse pandemia. Sem poder festejar, os consumidores decidiram investir nos estudos e/ou em compras para o lar. Entre 12 e 17 de fevereiro, as vendas de materiais de construção cresceram 78% na comparação com os seis dias de Carnaval do ano passado. Os itens de educação, 82%.

Outros destaques:
Datas comemorativas
A Páscoa deste ano foi mais doce que a anterior. O volume transacionado no varejo de docerias e chocolates cresceu 24% na semana que antecedeu a data (entre os dias 28/03 e 04/04) na comparação com a semana de Páscoa do ano passado (05 a 12/04).

Na semana do Dia Internacional da Mulher (de 02 a 08/03), as vendas de flores subiram 35% , em relação a igual período de 2020.

Meios de pagamento
A expansão continuada das transações online impulsiona cada vez mais os meios de pagamento digitais. Em especial, dos cartões virtuais, que expiram após o uso e conferem maior segurança às operações de e-commerce. O valor transacionado neste meio cresceu significativamente (163%) no primeiro trimestre em comparação a igual período do ano passado, antes da pior fase da pandemia. Entre os mais jovens, da geração Z (nascidos entre 2000 e 2010), o uso dos cartões virtuais subiu quase três vezes mais: 457%.

Os pagamentos por carteiras digitais cresceram 80% no total e especialmente entre as mulheres de 50+ (93%) e os consumidores da geração Z (192%)

O número de transações por aproximação em maquininhas, que evitam o contato físico, cresceu 4,4 vezes em relação ao primeiro trimestre de 2020 e, na comparação com o mesmo período de 2019, esse múltiplo chega a 34 vezes.

Vendas e canais
No primeiro trimestre de 2021, o varejo mostrou recuperação em ritmo mais acelerado que o verificado ao longo de 2020. Enquanto em todo o ano passado o volume de vendas cresceu apenas 3,2% na comparação com 2019, já nos primeiros três meses deste ano evoluiu 8,7% sobre igual período de 2020.  O crescimento é ainda mais expressivo, de 17,9%, quando se compara apenas o mês de março de 2021 contra março do ano passado, início do agravamento da pandemia e das medidas mais severas de isolamento social.

O comércio online continua ganhando relevância: o valor transacionado pelos canais digitais cresceu 32,5% na comparação com o primeiro trimestre de 2020, quase 9 vezes mais que o das vendas presenciais (+3,7%), passando a responder por um share de 20,9% do total no período.  Os gastos que mais cresceram no online foram nos segmentos de aplicativos e restaurantes (+143%) e lojas de departamento (+135,7%).  No mundo físico, as categorias de melhor desempenho foram os estabelecimentos atacadistas e de materiais de construção, repetindo a tendência verificada na Análise de 2020, mas com um crescimento bem menos expressivo – de 37,3% e 35,9%, respectivamente.

Sobre o estudo:
A Análise do Comportamento de Consumo do Itaú Unibanco, produzido pela Diretoria de Estratégia e Engenharia de Dados em parceria com a área de Pagamentos do banco, reúne dados das compras feitas com cartões de crédito e débito emitidos pelo banco e das vendas transacionadas pela Rede, sua empresa de meios de pagamento, em todo o País, entre janeiro e março de 2021.

O cruzamento e análise dessas informações, que incluem performance de vendas por segmentos, distribuição por canais e preferência por meios de pagamento, entre outros aspectos, trazem um retrato do desempenho do comércio no período, revelando hábitos e indicando tendências de consumo.

“Observamos que alguns comportamentos de compra que foram impulsionados pela pandemia, mais intensamente a partir de março do ano passado, como as compras online, o uso crescente de meios de pagamento digitais e o consumo de produtos e serviços em busca de melhor qualidade de vida em casa, permanecem como tendência forte”, analisa Moisés Nascimento, diretor de Estratégia e Engenharia de Dados do Itaú Unibanco.

“Os dados desta segunda edição da Análise do Comportamento de Consumo mostram um movimento de recuperação econômica, consistente com dados de vendas e produção industrial, e reforçam a nossa previsão de um crescimento do PIB de 5% neste ano, que leva em conta indicadores próprios, que medem o nível de atividade econômica e as variações do emprego formal e salários, e fatores como a influência da recuperação global”, completa Mário Mesquita, economista-chefe do banco.

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