IA muda a tomada de decisão e redefine o papel das lideranças - Abradi

IA muda a tomada de decisão e redefine o papel das lideranças

30 de outubro de 2026

Abradi Talks abordou como a inteligência artificial pode transformar dados em ações, otimizar processos e manter o julgamento humano no centro das decisões

A inteligência artificial já agiliza análises e relatórios, mas transformar informações em decisões e ações ainda é um desafio para muitas empresas.

Esse foi o ponto de partida do Abradi Talks de 15 de outubro, que recebeu Antônio Mello, cofundador e CEO da Jump. Na conversa, o executivo discutiu como a IA vem mudando a rotina das empresas e ampliando o espaço para que gestores e lideranças se dediquem à interpretação de cenários, à definição de prioridades e às decisões que orientam os negócios.

Mesmo com acesso a grandes volumes de dados, muitas organizações ainda dependem de reuniões, alinhamentos entre áreas e sucessivas análises para chegar a uma decisão. Para Mello, a tecnologia pode ajudar a mudar essa dinâmica ao assumir parte do trabalho operacional e liberar tempo para o julgamento humano. “O tempo precisa ser dedicado ao julgamento, à decisão”, afirmou.

Da análise à execução

Essa mudança começa pela forma como as empresas utilizam a IA. Em vez de solicitar apenas relatórios, planilhas ou apresentações, Mello propõe partir do problema a ser resolvido e da decisão que precisa ser tomada. Com contexto, critérios e limites bem definidos, a ferramenta pode apoiar a análise e indicar caminhos possíveis.

Para mostrar como isso funciona na prática, ele citou uma queda de 27% nos leads qualificados em 14 dias, apesar da relativa estabilidade dos cliques nas campanhas. Ao investigar as possíveis causas, a análise identificou que o tempo de resposta da equipe comercial havia aumentado de duas para nove horas. A partir desse dado, surgiu uma proposta de intervenção: testar o primeiro contato em até uma hora, com metas definidas, responsáveis e acompanhamento dos resultados.

A partir daí, o trabalho não termina com a identificação do problema ou a definição de uma solução. É preciso acompanhar os resultados para avaliar se a medida funciona e se deve ser mantida, ajustada ou interrompida. O registro das decisões e de seus efeitos também permite aproveitar os aprendizados em situações futuras, em vez de começar cada análise do zero.

O papel do julgamento humano

Para que esse modelo funcione, porém, não basta incorporar ferramentas ao dia a dia. A adoção da IA também exige atenção à governança, à proteção de dados e aos riscos associados ao uso de agentes inteligentes. Mello destacou a importância de estabelecer mecanismos de controle antes de implementar essas tecnologias nas empresas.

Outro ponto central é a responsabilidade pelas decisões. Mesmo quando a IA organiza informações e identifica padrões, cabe ao profissional avaliar as evidências, considerar as particularidades da operação e definir o caminho a seguir. “A IA hoje já tem essa capacidade de organizar esse dado, entender esse contexto, mas quem vai julgar o que a IA decidiu ainda é esse profissional”, afirmou.

Com a automação de parte das tarefas, a atuação dos profissionais ganha novas possibilidades. Mais do que produzir análises, o desafio passa a ser interpretar informações, fazer escolhas e avaliar seus efeitos nos negócios.

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