Encontro abordou novos modelos de negócio, impactos da Reforma Tributária e expectativas dos clientes
Como ampliar receitas, preservar margens e encontrar novas oportunidades de negócio em um mercado em transformação? Essas questões pautaram o Abradi Fórum, realizado no dia 28 de outubro na sede da Layer Up, associada da Abradi em São Paulo. Com o tema “Onde está o dinheiro?”, o encontro reuniu profissionais do setor em três painéis sobre os desafios das agências de comunicação e marketing diante de 2027.
O primeiro painel, “Receita, margem e novos modelos de negócio”, abordou a importância de demonstrar o valor estratégico do trabalho das agências e conectar as entregas aos objetivos dos clientes. Participaram Eric Porto, CSO da Layer Up; Rafael Cappelli, sócio-fundador e co-CEO do Grupo Nose; e Marco Hermo, Business Growth Director da Aunica, com mediação de Breno Botelho, presidente da Abradi MG.
Para Porto, “mais do que nunca, é preciso ouvir o cliente e estar aberto para se adaptar. Segundo ele, antes de definir preços, a agência deve identificar o que pode agregar ao portfólio, projetar resultados e estabelecer metas e processos para alcançá-los. A inteligência artificial também entrou na discussão, tanto pelo potencial de aumentar a eficiência operacional quanto pelos efeitos sobre a precificação. Para Hermo, a tecnologia vem mudando a lógica de remuneração das agências. “Se antigamente o pagamento era feito por horas de trabalho, agora é por produto, decisão e, sobretudo, valor.” Cappelli, por sua vez, destacou a importância de compreender o que o cliente está contratando para tornar os custos mais claros. “Muitas vezes, não há a percepção completa do negócio, e sim uma visão fragmentada por áreas ou departamentos. Isso ajuda a tangibilizar o custo e deixar claro tudo aquilo que o compõe.”
O impacto da Reforma Tributária sobre a rentabilidade foi o tema do segundo painel, “A Reforma Tributária vai comer sua margem? O imposto virou argumento de venda?”. Mediado por Alek Maracajá, vice-presidente da Abradi, o debate tratou de regimes tributários, aproveitamento de créditos e revisão de contratos, com a participação de representantes das áreas financeira e jurídica.
“O desafio maior será proteger o custo e a margem à frente dos desafios comerciais, produtivos e tributários. Esses serão itens que devem passar a ser discutidos na mesa de compra”, afirmou Marcos Moraes, vice-presidente financeiro da Abradi. Anderson Rabaquini, fundador da AMGR Inteligência Financeira, reforçou a necessidade de planejamento financeiro para lidar com os impactos da mudança e negociar o repasse dos custos aos clientes no momento adequado. Já André Iizuka, advogado tributarista do escritório Iizuka e Crivellaro Advogados, defendeu a mobilização conjunta das entidades setoriais, como a Abradi, em torno da regulamentação das novas alíquotas. “A Reforma deve ser encarada no coletivo, e as vozes para pedir sua revisão serão ouvidas se forem fortes, ou seja, unidas.”
A perspectiva dos contratantes esteve em pauta no terceiro painel, “De onde virá o dinheiro em 2027? A visão de quem compra”. Mediado por Vinícius Ghise, presidente da Abradi RS, o debate reuniu Alexandra Souza e Felipe Wasserman, CMO e Growth Director da Skyone, respectivamente. A conversa destacou a importância de conhecer a fundo os negócios dos clientes, antecipar necessidades e apresentar propostas que vão além do briefing, com soluções capazes de surpreender e gerar valor.
Alexandra ressaltou a valorização da experiência e a busca por agências que ofereçam soluções integradas. “Uma das frentes que estão ganhando força é a experiência. As agências precisam pensar no que podem oferecer além do digital para agregar valor. Ter diferentes serviços e uma visão 360° facilita tanto a conquista quanto a manutenção dos clientes”, afirmou. Wasserman chamou a atenção para outro aspecto dessa relação: a retomada dos encontros presenciais em meio à transformação digital. “Voltar às origens, com eventos presenciais e contato humano, tem surpreendido justamente por ser algo mais natural e pessoal. Pode parecer contraditório diante de tantas inovações, mas esse método funciona muito bem, porque tudo passa por confiança e relacionamento.”
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