Pressão e produtividade colocam saúde mental no centro da gestão das agências - Abradi

Pressão e produtividade colocam saúde mental no centro da gestão das agências

25 de setembro de 2026

Abradi Talks discute os efeitos da aceleração do trabalho e aponta caminhos para sustentar resultados sem transformar a sobrecarga em rotina

Se a inteligência artificial tornou processos mais rápidos, por que parece crescer a sensação de que nunca há tempo suficiente? Entre novas ferramentas, prazos apertados, mensagens que chegam a qualquer hora e demandas que se acumulam, o desafio das agências deixou de ser apenas entregar mais. É também encontrar uma forma de sustentar a performance sem transformar a pressão cotidiana em esgotamento.

Como lidar com um mercado que não desacelera sem exigir que as pessoas estejam permanentemente no limite? Esse foi o ponto de partida do Abradi Talks realizado nesta quinta-feira (17), que recebeu Liana Chiaradia, fundadora e diretora de vendas do Guia da Alma, para discutir saúde mental, liderança e alta performance. 

“Pressão, prazos curtos e imprevistos fazem parte da rotina das agências. O desafio não é eliminar esses fatores, mas desenvolver estratégias para sustentar essa alta performance mesmo diante dos desafios”, destacou Liana.

A discussão ganhou ainda mais relevância diante da atualização da NR-01, que inclui os riscos psicossociais entre os aspectos que devem ser considerados na gestão da segurança e saúde no trabalho. Para além do cumprimento de uma norma, o tema coloca em evidência a necessidade de olhar para a forma como o trabalho é organizado, para a carga de demandas e para as condições que favorecem ou dificultam o bem-estar das equipes.

Um dos alertas é justamente para a diferença entre um período pontual de pressão e a permanência em um estado de estresse elevado. Em uma agência, dias mais intensos são parte da dinâmica do negócio. O problema aparece quando a exceção passa a ser rotina e não há espaço para recuperação. “Não é possível eliminar a pressão do dia a dia, mas precisamos saber gerenciar isso de uma maneira diferente”, afirmou Liana.

Nesse cenário, a liderança ganha um papel central. Reconhecer mudanças de comportamento, perceber sinais de sobrecarga e conduzir conversas difíceis fazem parte de uma gestão que vai além de metas e entregas. Inteligência emocional e comunicação não violenta foram apresentadas como ferramentas que podem ajudar líderes a lidar melhor com situações de pressão, feedbacks e conflitos.

Segundo Liana, a proposta é levar o cuidado para a rotina, e não restringi-lo a campanhas ou ações pontuais. Entre as possibilidades discutidas estão check-ins com as equipes, mapeamento de fatores de risco, melhor organização das demandas e definição mais clara de prioridades e objetivos. Pequenas mudanças, nesse sentido, podem contribuir para reduzir a sensação de sobrecarga e dar mais segurança às pessoas sobre o que precisa ser feito e em que momento. “Saúde mental não é só um benefício ou uma campanha de Setembro Amarelo. É parte da sustentabilidade do negócio”, ressaltou.

O encontro mostrou que saúde mental já é uma questão de gestão, com impacto direto na produtividade, criatividade, comunicação e retenção. Diante da aceleração provocada pela tecnologia, o desafio é rever processos e formas de trabalho para conciliar resultados e inovação com condições sustentáveis para as equipes.

O programa está disponível no canal da Abradi no Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=9g7N51pY22M&t=1715s

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