WEB 2.0, PROPAGANDA 1.0

23 de outubro de 2006 Imagem destacada padrão para postagens ABRADi

A “Web 2.0” é a bola da vez nos fóruns “tecnológicos”

No meio publicitário, embora já desperte alguma curiosidade, a expressão ainda é muito pouco conhecida.

Não sei se este artigo cumprirá a função de ajudar a esclarecer o que é a “Web 2.0”, mas pelo menos prometo tentar fazê-lo sem incluir siglas do tipo RSS, AJAX ou APIs.
Tendo ou não sucesso, eu sugiro que, de hoje em diante, você preste muita atenção em qualquer coisa que fale sobre “Web 2.0”.

O motivo?

Simples, a “Web 2.0” vai mudar tudo aquilo que até hoje (depois de 10 anos) você ainda não aprendeu sobre internet.

Mudanças… saco, né?

É, mas fazer o quê? O mundo é dos rápidos, não necessariamente dos criativos.
Mas se você for rápido e criativo, melhor!

F5 (atualizar)…

CARAMEEEEELO!!!!!

Desculpa… é que lembrei do filme “Gritos”, que a Almap criou para o chocolate Twix e que foi e ainda é um sucesso de ação viral na internet, catapultado pelo “YouTube”, serviço descolado e muito popular de compartilhamento de filmes na web.

Obviamente que, como muitos, fui atacado pelo “vírus”. Não vi esse filme numa das salas de cinema de São Paulo ou na minha TV, locais que certamente compunham o planejamento de veiculação da Almap. Vi o filme, semanas atrás, na internet, no computador, junto com a minha filha.

Os sintomas são imediatos: após ver o filme, passamos um final de semana gritando CARAMEEEELO… um para o outro, com toda a família e alguns amigos pensando seriamente na “internação” da dupla.

Se você é um dos que ainda não viram esse “non-sense film”, cuidado!

Você provavelmente não é deste planeta ou “não falar mi língua”.

Ainda assim tem jeito, é só dispor de uma conexão em banda larga e acessar o “YouTube” (www.youtube.com). Depois você digita “twix caramelo” que o “engine de busca” do “YouTube” vai prestar o serviço básico e gratuito de disponibilizar o filme para você.

Interessante é que ele busca o filme da Almap dentro de um grande repositório de informação indexada de mais de 50 milhões de filmes que foram enviados pelos colaboradores do site/serviço.

Ok, mas vamos voltar à vaca fria. O que isso tudo tem a ver com “Web 2.0”?

Tudo a ver. O YouTube é “Web 2.0” na veia.

Bacana, então, já podemos dizer que a “Web 2.0” tem como premissas os serviços gratuitos, conteúdo produzido pelos próprios usuários e acesso através de banda larga.

Bingo! Mas tem mais, na web 2.0 (agora que já somos mais íntimos vamos usar o termo sem aspas e em minúsculas) o conteúdo é colaborativo e composto não apenas por texto, mas também áudio, vídeo e muita opinião!

Conceitualmente a web 2.0 é uma nova geração de serviços em ambiente web que rodam a partir do seu próprio browser e que se transforma definitivamente em uma “plataforma” para a utilização desses serviços.

Quer mais exemplos, além do “YouTube”?

Não sou lá, exatamente, um “heavy user”, mas lembro os mais populares: os Blogs em geral, o Gmail (e-mails), o Flickr (fotos), o Google Calendar (agenda), o writely (editor de texto), o Google Maps, etc.

O Google, aliás, é o principal player da web 2.0, seguido bem de perto pelo Yahoo!

Ok, acho que já entendemos o básico. Falta ainda dizermos que a web 2.0 pode ser acessada pelo seu computador ou por qualquer dispositivo que acesse a internet (palm, celulares ou, como gostariam os convergencionistas: geladeiras). É o começo do fim dos aplicativos básicos (word, excel, etc.) e dos sistemas operacionais para desktops (windows ou linux?).

Pô, show de bola, só que o melhor ainda está por vir…

Esses vários serviços/conteúdos, conforme a oportunidade e necessidade, vão se integrar rapidamente, criando uma grande “mixagem tecnológica” que dará origem a inacreditáveis e impensados serviços e, logicamente, novos negócios.

Complicou? Quando a gente não consegue explicar direito, nada melhor que outro exemplo:

chicagocrime.org, o site, é resultado da integração do Google Maps com a base de dados de ocorrências da polícia de Chicago. Em um mapa on-line com interface gráfica, o site aponta e classifica os crimes ocorridos por região e ainda cruza isso com conteúdo de matérias divulgadas em sites de jornais. Matador!

Agora a última pergunta:

– Como será que fica a publicidade nessa nova web?

Bom, você deve ter observado que para falar de web 2.0 praticamente só falamos de serviços. Então, você acha que dá para acreditar em mídia na internet que não seja associada diretamente a algum tipo de serviço relevante? Algum veículo pode se manter só com publicidade e formatos padrão?

Claro que não, veja os casos de sucesso do Google ou o doméstico exemplo do Busca-pé!

Somos brasileiros, adoramos futebol, carnaval e recentemente comunidades virtuais. Muito rapidamente estaremos entre os principais usuários de todos esses serviços da web 2.0, mas infelizmente demoraremos muito para fazer um uso profissional do potencial que a internet nos disponibiliza, em especial da web 2.0. No caso da publicidade, insistiremos em modelos antigos importados de outros meios.

No momento em que louvamos a chegada da web 2.0, fazemos uma publicidade na web que, embora seja criativa e ultra-internacionalmente premiada, é 1.0. Logo, vai continuar ano após ano representando menos de 2% do bolo publicitário. Ou seja, um nada perto do que a internet representa no mundo corporativo.

Na questão específica da publicidade em ambiente web, temos visto, ao longo dos últimos 10 anos, muita gente gritando CARAMEEEELO!!!!

Falta só achar quem grite BISCOOOOITO e CHOCOLAAAATE!!!!

Cesar Paz