Kenneth Corrêa, presidente da ABRADi Regional Mato Grosso do Sul, aponta a atuação da ABRADi na região

Por Paulo Centenaro, 6 de setembro de 2019

 

Essa semana falamos com Kenneth Corrêa, presidente da ABRADi Regional Mato Grosso do Sul, eleito em março de 2019.

Graduado em Administração de Empresas pela UFMS em 2004 e Pós-Graduado em Gestão Empresarial pela FGV em 2006, Kenneth é professor dos programas de MBA da FGV – Fundação Getúlio Vargas e atualmente é Diretor de Tecnologia e Performance do Grupo WTW.

Como você compreende a importância da ABRADi para promover a conexão entre os agentes digitais?

Como todo setor que quer se consolidar, crescer, participar e, de alguma forma, pautar as discussões políticas que impactam a sua área, precisamos de organização e a ABRADi veio justamente para cumprir este papel. 

O nosso mercado cresceu muito desde 2009. Foram 10 anos de evolução, não só rápida como também muito disruptiva para o mercado.  Começamos a esbarrar em outros segmentos e a importância do mercado digital se tornou um incômodo a muitos destes. Por isso, este é um momento importantíssimo para estamos bem organizados e estruturados para fazermos o nosso setor conduzir e influenciar as pautas que são relevantes. 

Neste momento temos dialogado com todas as demais associações do setor nos posicionando sobre a questão da remuneração das agências. Na opinião da ABRADi o modelo atual foi fundamental para o desenvolvimento do negócio até o momento, mas precisamos discutir e validar novos formatos que já ocorrem na pratica. um todo. Este tema é crucial para todos os agentes digitais uma vez que há diferenças essenciais entre as agências tradicionais e digitais. E como associação, a ABRADi traz força e credibilidade para defender os interesses do nosso setor.

Além disso, a ABRADi também faz um trabalho importante na formação de profissionais. Nós temos um setor no qual, atualmente, todo o conhecimento técnico é obtido de forma informal ou construído dentro das próprias empresas. Ao olharmos para as instituições educacionais, percebemos que as grades curriculares mais tradicionais não estão aptas a cobrir o currículo com relação a temas ligados ao digital. Isso se deve até mesmo pela velocidade com a qual as novidades estão surgindo. Nestes casos, é necessário aprimoramento ou especialização em instituições privadas, e, em alguns casos, difíceis de se atingir ou alcançar financeiramente.

A ABRADi entende este problema e auxilia no acesso a estas instituições através de programas de descontos e parceria. Este é um benefício importantíssimo tanto para os proprietários das agências digitais como para seus funcionários.

Como você explicaria a conexão entre os associados e as empresas contratantes?

No caso do Mato Grosso do Sul, inauguramos a ABRADi no final do ano passado, mas apesar de ainda sermos um grupo pequeno, pode-se perceber que todos os nossos associados têm uma relação com os clientes muito séria. Eu acredito que o que uniu os associados em Mato Grosso do Sul foi o fato de, por já terem algum tempo de mercado, estes agentes compreenderem a importância da consolidação do setor.

Todos sofrem em seu dia-a-dia com a falta de organização e regulamentação do nosso mercado e, através da ABRADi, temos a possibilidade de entender o que acontece no mercado e aprender, através da troca de experiências com outros diretores tanto no Mato Grosso do Sul como Nacional, como se posicionar diante dos contratantes em relação a remuneração, a controle das demandas, e ao mesmo tempo, formatar melhor produtos e processos.

Esta é uma relação que tem tudo para melhorar do ponto de vista dos agentes e também dos contratantes, uma vez que, um setor organizado, as entregas serão mais otimizadas. Ao mesmo tempo ao mesmo tempo a ABRADi pretende trabalhar no futuro um selo para certificar a qualidade dos serviços prestados pelos associados semelhante a Certificação LGPD ABRADi Bureau Veritas lançada recentemente, os contratantes saberão que estão contratando agências associadas e comprometidas com o mercado. 

Na sua visão qual o grau de maturidade do mercado de comunicação digital na sua região? A ABRADi tem ajudado no desenvolvimento do negócio? Como?

Mato Grosso do Sul fica bem isolado do eixo de negócios do país, estamos no centro-oeste brasileiro e temos apenas 1,7 da população brasileira. Isso mostra como o nosso mercado é pequeno em relação à proporção nacional. A maior parte do nosso mercado é constituído de pequenas e médias empresas locais.  

Neste tipo de mercado, o dono do negócio costuma estar à frente, com uma gestão centralizada, a qual absorve também o marketing. Temos poucas empresas que possuem um profissional de marketing com experiência, que possa fazer o canal empresa-agência e isso interfere muito no nível  de maturidade do mercado. Ainda é necessário desenvolvermos muito a cultura local em relação a este cenário.

Do ponto de vista dos veículos digitais, temos um mercado muito forte de influenciadores e alguns portais de notícias que são bem estabelecidos, mas ao falar do nível de profissionalismo, há ainda muitos passos a serem dados. Ainda que tenhamos alguns pequenos bons exemplos, ainda temos muito a evoluir.

Como comentei anteriormente, o fato de os diretores se reunirem, conversarem, trocarem experiências e fazerem essa troca também entre os seus funcionários faz com que as empresas evoluam e apliquem as melhores práticas em seu-dia-dia. Além disso acesso aos cursos e programa de formação facilitado têm ajudado na formação da equipe, que é uma deficiência muito grande. Localmente não há instituições que preparem bem os profissionais para este universo.  Estes são dois impactos reais e diretos que já conseguimos entregar, mas à medida que crescemos, conseguiremos entregar mais. 

Do ponto de vista da associação ativista e da briga em pautas políticas, ainda não tivemos frutos regionalmente mas isto é algo que está sendo construído e que com certeza em algum

Como presidente da Regional ABRADi, quais as suas sugestões para melhorar o ecossistema digital na sua região?

Eu acredito que a informação, seja através de cursos, eventos realizados pela ABRADi ou a troca de experiência entre associados, é fundamental, mas ao mesmo tempo precisamos de mais associados para que esta troca ganhe mais força. Porque a partir do momento que trocamos informação e percebemos que podemos fazer melhor, evoluímos também como ecossistema.